Pegar a estrada, trocar o sutiã por cigarro, liberdade.

por brudamasceno

Pegar a estrada. Viajar para um lugar distante onde ninguém te conheça. Pegar uma carona até outra cidade, outro estado, até a fronteira de outro país. Quem sabe até chegue à outro país. Pedir carona e ficar no vácuo durante horas ou conseguir uma com delinquentes e ter que descer do carro depois de socar a cara de alguém. Dinheiro suficiente apenas para comida barata, banho rápido em motéis de quinta. Talvez, com sorte, comida de graça se lavar a louça no bar do fim da estrada. Ser expulsa do bar por não aturar cantada de bebum e apanhar por ter quebrado uma garrafa na cabeça de alguém. Com mais sorte, faça amigos. Encontre outros caroneiros e se juntem para se ajudarem. Fingir que irá fazer favores sexuais se chegar à tal cidade e ao chegar sair correndo com os óculos que encontrou no porta-luvas do cara. Dormir de mal jeito na caminhonete dura, no banco quebrado, na van com cheiro de maconha. Se esconder debaixo da lona, na parte de trás da picape, quando os policiais rodoviários pararem o carro. Conhecer alguém e passar a noite com ele. Romance de estrada. Paixão repentina de apenas uma noite e uma cerveja. Trocar o sutiã por um cigarro, o relógio de alguém por um almoço. Passar a torcer por um banho e não mais por dinheiro. O vento na cara, o cabelo desgrenhado, cheio de nós e sem condicionador há dias, o cheiro do mato, o som das cigarras, o barulho das ondas do mar, as estrelas sobre a cabeça, a areia sob os pés, o sol escurecendo a pele, asfalto sob as rodas… Liberdade. Montar teu guia, escolher teu caminho, fazer teu destino. Viajar. Sem mordomia. Não saber o que te espera na próxima rodovia. Ou na próxima estrada de terra. Pegar a estrada e ser pega pela vida, perceber que nunca viveu tanto quanto naqueles dias. Chegar ao teu destino e descobrir que não é mais aquele o teu destino. Que ainda há tanta estrada pela frente…

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