unrepaired mess

when someone is broken, just stay broken

Não sei mais dormir.

O Equilibrista.

Hoje parei pra pensar: Foi em você.

Pensei tanto que eu tentei parar de pensar, e eu parei. Andei um pouco e sem querer, quando me toquei, já estava pensando de novo. Desisto.

Complicado quando você não consegue esquecer  algo que você precisa esquecer. Vou além, complicado – muito complicado – quando você gosta de lembrar. Coisas que te fizeram bem, e hoje só te arranham e abrem mais a ferida. É… Eu mudei, e pelo jeito a vida mudou junto comigo. Há alguns meses atrás parecia tudo tão normal, e vivo. Hoje não passa de nada de mais. Nada além de palavras, arrancadas, e porque não, jogadas ao ar.

Eu sinto como se fossemos dois pássaros: Você voou, eu fui atrás. Mas eu perdi uma das asas, e caí. Você foi embora. Acho que não consigo mais te encontrar, e pelo jeito, você não sabe aonde eu caí, e…

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Pegar a estrada, trocar o sutiã por cigarro, liberdade.

Pegar a estrada. Viajar para um lugar distante onde ninguém te conheça. Pegar uma carona até outra cidade, outro estado, até a fronteira de outro país. Quem sabe até chegue à outro país. Pedir carona e ficar no vácuo durante horas ou conseguir uma com delinquentes e ter que descer do carro depois de socar a cara de alguém. Dinheiro suficiente apenas para comida barata, banho rápido em motéis de quinta. Talvez, com sorte, comida de graça se lavar a louça no bar do fim da estrada. Ser expulsa do bar por não aturar cantada de bebum e apanhar por ter quebrado uma garrafa na cabeça de alguém. Com mais sorte, faça amigos. Encontre outros caroneiros e se juntem para se ajudarem. Fingir que irá fazer favores sexuais se chegar à tal cidade e ao chegar sair correndo com os óculos que encontrou no porta-luvas do cara. Dormir de mal jeito na caminhonete dura, no banco quebrado, na van com cheiro de maconha. Se esconder debaixo da lona, na parte de trás da picape, quando os policiais rodoviários pararem o carro. Conhecer alguém e passar a noite com ele. Romance de estrada. Paixão repentina de apenas uma noite e uma cerveja. Trocar o sutiã por um cigarro, o relógio de alguém por um almoço. Passar a torcer por um banho e não mais por dinheiro. O vento na cara, o cabelo desgrenhado, cheio de nós e sem condicionador há dias, o cheiro do mato, o som das cigarras, o barulho das ondas do mar, as estrelas sobre a cabeça, a areia sob os pés, o sol escurecendo a pele, asfalto sob as rodas… Liberdade. Montar teu guia, escolher teu caminho, fazer teu destino. Viajar. Sem mordomia. Não saber o que te espera na próxima rodovia. Ou na próxima estrada de terra. Pegar a estrada e ser pega pela vida, perceber que nunca viveu tanto quanto naqueles dias. Chegar ao teu destino e descobrir que não é mais aquele o teu destino. Que ainda há tanta estrada pela frente…

Mas você não pode me amar.

— Mas você não pode me amar — eu deveria ter dito. Não poderia amar não só por não ter como, mas porque não deveria. Não se deve amar quem não quer ser amada. E, mesmo que queira, não se deve amar quem não entende o amor. E, mesmo que entenda, não se deve amar quem não sabe amar. E, mesmo que saiba, não se deve amar quem inventa desculpas para o amor. Não se deve amar quem ama demais, em exageros. Ou quem ama pouco, em partes. Não deveria. Não poderia. Não pode.

“Amor parecido …

“Amor parecido com água. Água por todos os lados em todo lugar. Gelo, rio, nuvem, chuva, mar. Uma parte é grande, outra é minúscula. Uma parte é boa para beber, outra é salgada demais. Todos têm sua utilidade para a terra. Estão o tempo todo em ciclo de movimento. Necessita de água para resistir. Mulheres como a terra; precisam submergir em água. Água com terra se modela, cresce.

(…) Terra muda por causa do rio, faz via aquática. Leito do lago sabe segurar água na bacia, contém tudo. Água de gelo é geleira; move terra. Chuva faz deslizamento de terra. Mar faz areia. Sempre dois: terra e água. Uma precisa da outra. Tornam-se unidade juntas.”

— Phet, “A VIAGEM DO TIGRE” (pág. 56 e 57)

Algum tipo de amor.

Existe algum tipo de amor que resista ao tempo, as novas manias, aos outros amores?
Existe algum tipo de amor que beira o ódio insano, o desespero gritante, a indiferença errante?
Existe algum tipo de amor que se refugia nos vasos sanguíneos, tornando-os fibrosos, obstruindo-os, sufocando?
Existe algum tipo de amor que ainda exista, mesmo depois que tudo que amo já deixou de existir?
Existe algum tipo de amor que não é amor, mas parece amor? Ou algum amor que é amor, mas não parece amor?
Esse tipo de amor que te deixa envolta no relento, à beira de um precipício, ao convite do mar gélido, à mercê de alguém que nunca virá. Alguém que nunca voltará. Ainda assim, é amor?

Contrariedade.

“Você volta, eu vou embora. Você sabe disso, todos sabem e, ainda assim, você sempre volta. Eu não quero você, mas não quero me desfazer de você. Eu sempre arranjando desculpas pra não te ver, motivos pra não te querer e diversas formas de partir. E eu sempre vou embora. Eu te prendo por puro egoísmo, por pura falta do que fazer e, mesmo assim, você fica… Isso uma hora vai acabar, eu estou ciente disso e quero isso, uma hora você vai acordar e decidir não vir mais até mim, mas até lá você vai continuar voltando, vai continuar ficando, e eu vou continuar partindo.”